Concreto aparente: 12 ideias de projetos para você se inspirar

Nos dias atuais, o concreto aparente vem ganhando espaço nas construções, desde obras de infraestrutura urbana até projetos de design de interiores. Sua versatilidade oferece também um toque de modernidade e exuberância, valorizando o imóvel. Muitos arquitetos revelam que tal material garante uma elegância a qualquer projeto, sobretudo quando se trata de áreas e conceitos externos. Artistas e demais especialistas também utilizam esse tipo de concreto como tendência do momento. Às vezes pode ser até mais econômico, pois não é preciso gastar a mais com reboco e outros complementos. É possível encontrar paredes nos mais diversos ambientes de uma casa, até mesmo seus pisos e fachadas, por exemplo, acabadas em concreto aparente. Inclusive bancadas de cozinha, painéis, estantes e cabeceiras de camas podem conter tal material – o que transfere um tom de rusticidade aos espaços, deixando-os ao mesmo tempo descontraídos. Prédios comerciais, pontes, viadutos, estações de metrô, museus, entre outras edificações, também podem utilizar o concreto aparente, já que a solução deixou de ser, já há um bom tempo, algo usado apenas por indústrias e decorações mais simples. Por que concreto aparente é um bom revestimento? Como vimos, elegância, versatilidade, modernidade e exuberância são adjetivos diretamente ligados à utilização do concreto aparente, além de seu uso valorizar o imóvel. Não bastassem todas essas características positivas, o material ainda oferece diversos outros motivos que o fazem ser um bom revestimento. Um deles diz respeito à manutenção, já que ele é simples e tem ótima durabilidade. O que dispensa maiores trabalhos e cuidados. Além da facilidade de limpeza. Aplicar verniz ou silicone/resina depois da execução, principalmente em áreas externas, é uma excelente dica para manter o bom aspecto do material. Lembra que citamos também o fato dele poder ser mais econômico? Pois então. Essa economia pode ser vista na não necessidade de serviços posteriores, como chapisco, emboço, reboco ou revestimentos cerâmicos. No caso do concreto aparente aplicado em pisos, encontraremos a transformação da atmosfera de uma sala, por exemplo, em poucas horas, livrando os cômodos de resíduos indesejáveis, como a poeira decorrente de polimentos. Esse tipo de material tem a vantagem de chegar pré-selado e pré-polido para ser instalado no ambiente doméstico. O que poucas pessoas sabem é que tal material é uma opção incrível para manter o clima interno do seu imóvel estável. Isso ocorre porque o concreto aparente absorve a temperatura ambiente e a armazena como uma espécie de massa térmica, ao contrário dos pisos espessos ou de concreto revestido. Normalmente, o concreto é composto por cimento, agregado miúdo (areia), agregado graúdo (pedra) e água. Porém, o concreto arquitetônico leva mais alguns ingredientes, como aditivos químicos (fazer link as outras matérias), pigmento (quando o concreto for colorido) e a sílica ativa (fazer link as outras matérias). Tudo isso para agregar maior beleza e durabilidade. No concreto aparente, interessante ressaltar, são utilizados componentes mais nobres, como por exemplo: areias mais limpas e claras, pedras mais regulares e cimentos mais resistentes. É importante salientar aqui que a sílica ativa é fundamental para fazer um bom concreto aparente. E os motivos são dois: físico e químico. Motivo físico: como a sílica ativa (fazer link as outras matérias) é mais fina do que o cimento, ela consegue imprimir ao concreto aparente um melhor acabamento, pois preenche todos os poros. Motivo químico: ela consegue evitar a eflorescência primária. O concreto fresco pode ser entendido como uma matriz intercalada por capilares que contêm uma solução aquosa de componentes de cimento solúveis em água – predominantemente hidróxido de cálcio. À medida em que o concreto endurece, o hidróxido de cálcio nas aberturas dos capilares (ou poros) da superfície reage com o dióxido de carbono no ar para formar carbonato de cálcio. Devido a essa liberação de carbonato de cálcio, a concentração de hidróxido de cálcio é mais baixa nos poros da superfície do que dentro deles. Isso faz o hidróxido de cálcio ser transportado continuamente, por difusão, das camadas de concreto mais profundas para os poros da superfície. Se um filme de água condensada estiver presente na superfície do concreto, o hidróxido de cálcio pode se espalhar sobre toda a superfície e cobri-la com carbonato de cálcio insolúvel em água. Isso ocorre porque na reação do cimento com a água sempre sobra hidróxido de cálcio. E a sílica ativa em presença de água reage a esse hidróxido de cálcio, evitando as manchas causadas por essa eflorescência primária. Por que esse trabalho deve ser realizado por profissionais? A mão de obra para esse tipo de material precisa ser bem treinada. Desde a produção do concreto até a sua aplicação. Os procedimentos de dosagem e execução são bem mais rigorosos para esse tipo de construção. Para que o concreto aparente seja de boa qualidade é necessário um cuidado muito grande com os insumos a serem utilizados. Deve ser feito um controle rigoroso na escolha e seleção dos materiais. Os cuidados com os agregados se referem à uniformidade de cor e granulometria. Quanto ao tipo de cimento, é importante utilizar o mesmo tipo em toda a estrutura que ficará aparente. Assim, você evitará a criação de manchas e tonalidades de cor diferentes. A garantia da durabilidade, incluindo que vazamentos não ocorram, também faz parte dos cuidados que os profissionais capacitados devem ter durante a aplicação da solução. O profissional deverá conhecer e utilizar formas adequadas e equipamentos específicos que eliminarão as possíveis bolhas e imperfeições. Assim como dominar o uso de desmoldantes. Um desmoldante inadequado pode interferir na coloração do concreto, produzindo manchas e mudança de tonalidade. E a necessidade de trabalhadores conhecedores do assunto não param por aí. Também são necessários cuidados no momento da execução das peças estruturais. O lançamento do concreto deve ser feito a uma altura adequada, evitando a segregação de material durante o processo. Além disso, o concreto deve ser adensado corretamente, com auxílio de vibradores de imersão. A proteção do concreto aparente deve ser total, principalmente se ele estiver sendo aplicado em ambientes externos. Isso deve ocorrer porque o contato da solução
Aditivos para concreto: principais tipos e para que servem

Aditivos são produtos que adicionamos ao concreto ou a argamassas para modificar suas propriedades físicas. Assim, seu manuseio e emprego são facilitados, oferecendo vantagens que naturalmente não são obtidas se tratados normalmente. Os aditivos são incorporados na mistura de cimento, água, areia e brita para proporcionar características especiais ao concreto. Essas substâncias alteram as propriedades do material no estado fresco e endurecido, e são exploradas para ampliar as qualidades e minimizar desvantagens da mistura. Podemos dizer que os objetivos fundamentais dos aditivos para concreto são: Ampliar as qualidades de um concreto; Minimizar seus pontos fracos; Aumentar a plasticidade do concreto; Reduzir o custo em termos de consumo de cimento; Acelerar ou retardar o tempo de pega; Reduzir a retração; Aumentar a durabilidade. Os aditivos para concreto conseguem aumentar a durabilidade do produto final principalmente pela redução da relação água/cimento. Porém, a última geração de superplastificante à base de nanosílica estabilizada pode agregar outras qualidades além da redução desse fator. O uso de aditivos em concretos é tão antigo quanto o do próprio cimento. Segundo estudiosos da área, estima-se que os romanos e os incas já adicionavam clara de ovo, sangue, banha ou leite aos concretos para melhorar a trabalhabilidade das misturas. No Brasil, o emprego desse material pode ser constatado em várias obras históricas, igrejas e pontes, com o uso de óleo de baleia na argamassa de assentamento das pedras com o intuito de plastificá-la. Em 1824, o construtor inglês Joseph Aspdin queimou pedras calcárias e argila, criando um produto duro como as pedras empregadas nas construções. Tal mistura não se diluía na água. Devido às cores e propriedades de durabilidade e solidez semelhantes às rochas da ilha britânica de Portland, patenteou-se a mistura com o nome de Cimento Portland. A partir daí, a função dos aditivos evoluiu em razão do seu benefício à trabalhabilidade e durabilidade de misturas cimentícias. No entanto, foi somente a partir de 1910 que o material começou a se transformar com a produção industrial dos aditivos formulados com características plastificantes, impermeabilizantes, aceleradores e retardadores. Quais os principais tipos de aditivos utilizados no concreto? A lista a seguir apresenta os mais importantes tipos de aditivos utilizados no concreto. Incorporadores de ar Reduzem a tensão superficial da água e incorporam ou adicionam ar ao concreto, tornando-o mais coesivos e untuosos. Também aumentam as resistências mecânicas, diminuem a segregação, melhoram o acabamento das faces nas desenformas e deixam as arestas das peças mais bem acabadas. Seu grau de eficiência depende da presença de finos. Ou seja, quanto mais finos (também alto consumo de cimento), menos ar é incorporado. O excesso de ar incorporado diminui a resistência mecânica do concreto. Plastificantes ou redutores de água São moléculas com extremidades laterais com cargas negativas. Um dos lados adere aos grãos de cimento (superfície positiva) e outro (carga negativa) fica exposto. A repulsão eletrostática entre as cargas negativas afasta os grãos de cimento cobertos pelo aditivo facilitando a trabalhabilidade. Têm como função plastificar o concreto aumentando o slump sem adição de água; ou reduzir a água mantendo o slump com consequente aumento de resistência inicial e final, sem alteração do tempo de pega. Superplastificantes Os superplastificantes têm função similar a dos plastificantes. No entanto, os mesmos efeitos podem ser adquiridos com menores dosagens, pois além de criar repulsão eletrostática entre os grãos de cimento, afastam as partículas por repulsão estérica. Hoje já existem superplastificantes à base de nanosílica, que além de propiciar benefícios ao concreto no estado fresco, deixam sua marca no concreto endurecido, propiciando maior durabilidade. Modificadores de pega Os aditivos modificadores de tempo de pega podem acelerar ou retardar o processo. Vejamos: Aceleradores de pega: Facilitam a dissolução da cal e da sílica, além da alumina. Aceleram fortemente as reações iniciais de hidratação e endurecimento, especialmente do C3S. Sua composição química e finura do cimento afetam a velocidade de aceleração. Tem como função acelerar a pega do concreto ou argamassa, com aumento reativo da resistência inicial (podendo diminuir ao final se dosados em excesso) para serviços de concretagens, reparos estruturais, apoios de máquinas e outros. Permitem, ainda, a moldagem do concreto em temperaturas mais baixas, reduzindo o tempo de acabamento dos projetos. Retardadores de pega: retardam a osmose da água nos grãos de cimento, agindo por defloculação e adsorção. Trazem flexibilidade no tempo de pega do concreto, aumentando o tempo de trabalhabilidade e acabamento da mistura. Tem como função facilitar sua aplicação em longas distâncias. Trazem flexibilidade no tempo de pega do concreto, aumentando o tempo de trabalhabilidade e acabamento, sendo adequados para aplicações mais complexas em condições de climas quentes. Modificador de viscosidade Buscam aglutinar o concreto, aumentando sua coesão e não deixando ocorrer segregação, sem mudar a plasticidade e o tempo de pega, possibilitando também seu bombeamento. Aditivos para concreto usinado No decorrer do tempo foram desenvolvidos diversos princípios químicos para melhorar as propriedades do concreto. Para o concreto usinado, na década de 1930, desenvolveram-se os aditivos incorporadores de ar, que ajudavam na trabalhabilidade e redução da relação água-cimento. Na mesma época, surgiram os aditivos à base de lignosulfonato, com ótima relação custo-benefício, mas não recomendável para concretos de alto desempenho. O lignosulfonato é conhecido como um aditivo plastificante de primeira geração. E, em alguns casos, também como superplastificantes. Já nas décadas de 1960 e 1970, foi desenvolvido o aditivo Naftaleno Sulfonado, com melhores características dispersantes e manutenção de slump flow. Esse aditivo é conhecido comercialmente como superplastificante de 2ª geração e permite a redução de até 25% da quantidade de água das misturas, quando usados como redutores de água. Só no início do século XXI, os aditivos à base de policarboxilato começaram a ser comercializados. Inicialmente era usado apenas para indústrias de pré-fabricados, porém com a melhora da tecnologia começou a ser usado em larga escala. Atualmente este tipo de aditivo consegue propiciar alto poder de redução de água e um grande tempo em aberto (necessário para concretagens longas).Portanto, podem ser utilizados tanto para concretos de alto desempenho quanto para concretos de baixa resistência. Se
Sílica Ativa: por que usá-la na sua construção?

A sílica ativa, também conhecida como “sílica fume” ou “microsílica”, é o resultado da fabricação do ferro silício ou silício metálico, quando é liberado monóxido de silício (SiO), que rapidamente é oxidado até transformar-se num dióxido de silício (SiO2). Atualmente, é considerada uma das substâncias mais importantes para a construção civil, em especial pela sua capacidade de dar resistência, fluidez e durabilidade ao concreto. Além disso, ela ajuda um projeto a tornar-se ecologicamente correto, por ser um produto que seria descartado no meio ambiente. Mas a sua importância não para por aí, pois é um ingrediente bastante utilizado na composição dos mais diversos tipos de materiais, desde o concreto armado até telhas e tubulações que utilizem o cimento como o seu componente básico. Quais as principais características físicas e químicas da sílica ativa? Por ser o resultado de um processo químico que ocorre na indústria da metalurgia, a sílica ativa possui um grau de equilíbrio e estabilidade razoáveis em sua constituição físico-química. A sua própria condição de “silício oxidado” lhe confere uma aparência não cristalina, o aspecto de um pó finíssimo e, por isso mesmo, capaz de preencher os “vazios” entre os agregados do concreto e a sua pasta. Isso que caracteriza uma excelente capacidade de reagir com os produtos resultantes do seu endurecimento. As suas partículas possuem o formato de uma esfera, diâmetro não superior a 0,2 ɥm (100 vezes menor que as do cimento, por exemplo), uma massa específica entre 2g/cm³ e 2,2g/cm³ (a do cimento possui 3g/cm³), além de massa unitária entre 200 e 500kg/m³ (considerada baixa, o que exige extrema habilidade durante o seu manuseio). Quais as principais vantagens de se utilizar a sílica ativa? Comprovadamente, a sua adição entre 5% e 8% na mistura do concreto é capaz de conferir-lhe maior durabilidade, coesão, capacidade de aderência, resistência a agressões físicas e químicas, diminuindo o processo de exsudação (o “suor” no concreto), além de, obviamente, fazer com que a massa exija menores quantidades de cimento. Além disso, é uma adição pozolanica, que torna as estruturas mais resistentes e facilita o acabamento, sendo, por isso mesmo, bastante recomendada em projetos arquitetônicos, obras de arte ou demais estruturas que requeiram uma maior sofisticação no resultado. Isso sem contar o fato de que geralmente é obtida em indústrias de metalurgia, como o resultado da produção do ferro silício ou silício metálico, mas cujo destino seria o descarte no meio ambiente, caso não fosse reaproveitada como um dos componentes do concreto. Quais as principais aplicações da sílica ativa? 1. Reparo de estruturas Nos reparos de estruturas, a sua importância primordial está na capacidade de conferir maior aderência ao concreto pronto. O que, por si só, já representa uma qualidade essencial para essa função. Porém, ainda torna o concreto mais resistente a choques e a processos químicos, pois a sua presença preenche todos os espaços da massa, tornando-a mais densa, compacta, mas sem perder a sua facilidade de manuseio. É considerada indispensável para o reparo de grandes estruturas, pois estas geralmente sofrem com a grande movimentação de pessoas e agressões químicas. 2. Concreto armado Para o concreto armado, ela entra como um importante fator para a melhora da sua trabalhabilidade (capacidade de ser manuseado e transportação), o que é fundamental, principalmente, quando se trata do bombeamento do material para grandes alturas. Também torna a estrutura mais durável, oferece melhor custo-benefício (pois diminui a quantidade de cimento necessária) e, por fim, garante maior resistência às intempéries. É bastante utilizada na concretagem de portos, pontes, arranha-céus, obras de infraestrutura sanitária, entre outras construções. 3. Concreto protendido Um concreto protendido, em poucas palavras, é aquele com maior poder de resistir à tração após ser aplicado em uma superfície. Para tal, a protensão surge como uma forma de “prever” essa tração, evitando problemas de retração (deformidade) durante a pega. A vantagem da sílica ativa para essa técnica é a sua capacidade de dar maior resistência mecânica ao concreto, além de elasticidade, aderência, entre outras características semelhantes. 4. Pasta para Revestimento Para o revestimento dos mais diversos tipos de construções, a sua utilização é considerada fundamental e uma das técnicas de concretagem mais modernas da atualidade. A capacidade de tornar o concreto mais aderente e, principalmente, pouco permeável, são também outras das suas mais importantes características, quando combinada com outros tipos de aditivos minerais. 5. Rejuntes Aderência, permeabilidade e combate aos famosos depósitos cristalinos sobre o concreto (eflorescências) são alguns dos atributos dessa substância, que, por isso mesmo, é muito requisitada na indústria de argamassas. Uma dosagem de até 10% na mistura do concreto faz com que este exija uma menor adição de aglomerantes, o que contribui para diminuir o seu custo final. 6. Artefatos de cimento Aqui o seu grande benefício está no acréscimo de resistência que essas peças adquirem, pelo simples fato de que os vazios na composição da argamassa são preenchidos com a sílica. Materiais como: pisos, azulejos, tijolos, entre outros artefatos semelhantes, por serem muito frágeis, são facilmente danificados por qualquer agressão ou mesmo pela simples manipulação. Logo, esse ganho de resistência pode ser determinante para o seu custo-benefício, além de incrementar o acabamento das peças e, consequentemente, a beleza desses objetos após a sua confecção. 7. Pisos industriais Da mesma forma, os pisos de indústrias e de grandes centros comerciais (quando feitos de concreto) beneficiam-se com o ganho de resistência e durabilidade que essa adiçãoé capaz de oferecer. Também com relação a ataques químicos e dos fenômenos da natureza, ela serve como uma excelente proteção, graças à sua composição e capacidade de preencher os espaços entre a pasta e os agregados. Além de melhorar a resistência à abrasão, parâmetro muito importante nos pisos industriais. Projetos de pavimentação, em geral, requerem o uso desse tipo de adição mineral e demais aditivos químicos na composição do concreto. 8. Fibrocimento E, finalmente, o fibrocimento. Nesse caso, o material resultante da mistura de cimento com fibras vegetais (celulose, basicamente). Muito utilizado na fabricação de telhas, chapas, placas e tubulações, o fibrocimento pode obter um
Retração do concreto: o que é e como minimizá-la?

A retração do concreto é a diminuição do seu volume, geralmente motivada pela eliminação da água contida em seu interior (exsudação). Outros motivos também podem provocar essa retração, como fatores químicos, climáticos, relativos ao volume do concreto ou mesmo pela maneira como foi traçado. É considerada uma “doença do concreto”, provocada pela qualidade e tipodo cimento, tipos e dimensões dos seus agregados, relação água/cimento do traço, entre outros fatores que podem comprometer a qualidade do material e, consequentemente, toda a estrutura da construção. Em condições anormais, a retração por exsudação pode ficar entre 1 e 1,5% do total da massa pronta. Quando resulta em uma perda superior a 1 kg/m²/hora, toda a obra pode ser comprometida devido à inevitável ocorrência de fissuras, rachaduras, empenamento das placas de concreto, entre muitos outros transtornos. Essas consequências geralmente são o resultado das tensões existentes em uma concretagem ainda na sua fase de “pega”, pois não tem a capacidade necessária de absorver as forças resultantes desse fenômeno. Como resultado, o concreto estará sujeito a uma retração capaz de danificar, inclusive, a sua ferragem; causando não só o fenômeno da retração, mas, certamente, o comprometimento de toda a estrutura da obra. Para ao menos tentar minimizar esse transtorno, recomenda-se realizar um bom trabalho de cura (controle da evaporação) do concreto, evitar a adição excessiva de água durante o processo de mistura, evitar a concretagem em horários com temperatura elevada, utilizar substâncias inibidoras da evaporação e armações para diminuir essa retração, entre outras medidas capazes de conter a saída excessiva de água ou o “suor do concreto”, que é a principal causa desse fenômeno. Quais os principais tipos de retração do concreto? De acordo com os manuais de engenharia civil, essa retração pode ser dividida em: 1. Retração plástica É o tipo mais comum de retração. Caracteriza-se pela eliminação de água pelo fenômeno da exsudação (“suor do concreto”), que ocorre pouco antes do início da “pega” ou seu endurecimento. Fatores como exposição do material ao calor excessivo, ventos fortes, baixa umidade relativa do ar, entre outras situações podem ocasionar o fenômeno. Para esses casos, a correta adição da sílica ativa é capaz de diminuir o transtorno, pois reduz a evaporação de água no concreto e, consequentemente, diminui as chances de retração. 2. Retração química Já esse tipo ocorre na fase de hidratação do concreto (endurecimento) graças à diferença de volume entre o cimento, a água e as substâncias resultantes dessa hidratação. Nessa fase, são formadas substâncias como o hidróxido de cálcio, a etringita e o silicato de cálcio hidratado, que, graças ao seu reduzido volume em relação ao cimento à a água, acabam diminuindo também o volume do concreto. 3. Retração hidráulica Outro tipo de retração do concreto é a “retração hidráulica ou por secagem”. Também se caracteriza por uma diminuição do seu volume, resultante da perda de água do material quando ele já se apresenta em estado sólido. Essa perda acontece em razão de, mesmo na fase de hidratação, a água ainda não estar completamente ligada ao concreto através dos fenômenos físico-químicos conhecidos. Além disso, devido a reações causadas por erros na dosagem do concreto, essa água é liberada em grande quantidade. 4. Retração térmica A retração térmica se dá pela liberação de calor durante o processo de endurecimento do concreto, que, inicialmente, aumenta de volume para depois diminuir durante o resfriamento. É também conhecida como “retração exotérmica”, pois o que ocorre é uma reação química que resulta na transmissão de calor do interior de um objeto para o meio ambiente. O que pode provocar o aumento da retração do concreto? 1. O traço do concreto Essa influência tem a ver com o tamanho e a qualidade dos materiais utilizados (areias, cascalhos, aditivos, adições minerais etc.), o equilíbrio nas quantidades de água e cimento; a reologia desses componentes, além da sua granulometria, pois a combinação de agregados finos e graúdos não pode ser aleatória, sob pena de comprometer a qualidade do concreto e aumentar as chances de retração. 2. Fatores climáticos Os fatores climáticos também podem determinar a maior ou menor retração do concreto, já que estão diretamente ligados aos processos de evaporação da água durante a “pega” da massa. Temperaturas muito elevadas, baixa umidade relativa do ar e a força do vento sobre o concreto novo podem ser determinantes para a retração, assim como para a qualidade de todo o material. Portanto, o recomendado é que o traçado seja executado sob uma temperatura não superior a 25°C, umidade relativa do ar sempre abaixo de 40% e velocidade do vento abaixo de 14 km/h, para que a retração seja a menor possível. 3. Geometria do concreto Neste caso, falamos especificamente da relação área concretada/volume do concreto. Por motivos conhecidos, uma “superfície rasa” é muito mais suscetível à perda de água por evaporação. Estruturas como lajes, pavimentações, pisos, azulejos, entre outras com pouco volume podem apresentar retração com mais facilidade. Uma boa indicação para esses casos é a utilização de expansores à base de subprodutos do alumínio, que são capazes de expandir o volume do concreto, já prevendo uma possível retração ulterior. E a retração por carbonatação? Resumidamente, a retração por carbonatação é o processo de penetração do gás carbônico (basicamente) no interior do concreto, causando a oxidação da ferragem com a consequente retração do material. O que acontece é que um concreto pouco condensado, com desequilíbrio na relação água/cimento, muito permeável e sem um trabalho adequado de cura, resultará num material bastante poroso e sujeito ao ataque de substâncias como o gás carbônico (CO2), dióxido de enxofre (SO2), sulfeto de hidrogênio (H2S), entre outros gases semelhantes. No início da fase de “pega”, o concreto mantém um pH suficientemente alcalino, ideal para manter as ferragens livres da oxidação. No entanto, com o passar do tempo, essa alcalinidade vai desaparecendo (muito em função da presença de água no interior do concreto), fazendo-o perder a sua “defesa” contra esses gases. Da reação entre estes e a pasta de cimento, surge o temido carbonato de cálcio (CaCO3), que