Quais são as normas associadas ao uso de concreto?

Para o antigo presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Paulo Safady Simão: “A CBIC entende que é fundamental a utilização de um conjunto de normas para assegurar a conformidade de todo o setor, reduzindo fragilidades técnicas e garantindo qualidade, segurança, conforto e sustentabilidade aos empreendimentos”. Nesse sentido, órgãos como a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura) recebem, no Brasil, a incumbência de determinar, além das normas que regem a utilização do concreto, todos os procedimentos referentes à construção civil. Com relação à ABNT, as normas são elaboradas por comissões com representação da sociedade civil, produtores, além de instituições, como universidades, escolas técnicas, laboratórios, entre outras. O DNIT é um órgão federal cuja função é zelar pela conservação, potencialização, fiscalização e criação de grupos de estudo com o objetivo de aprimorar os processos técnicos relacionados ao tráfego de veículos, tanto na terra como em ambiente aquático. Quais são as normas para o uso de concreto e suas categorias? As principais normas que tratam deste segmento foram elaboradas pela ABNT. São elas: 1. NBR 6118 – Projeto de estruturas de concreto – Procedimento Com uma atualização em vigor desde maio de 2014, é considerada a “norma-mãe” para estruturas simples de concreto, concreto armado e protendido. E traz uma novidade: Agora também discorre sobre o concreto com resistência superior a 50 Mpa (ou pouco mais de 500 kgf/cm²). Juntam-se a ela a NBR 15823 (Concreto autoadensável), NBR 12655 (Preparo, controle e recebimento de concreto), NBR 6122 (Projeto e execução de fundações), entre outras. 2. NBR 9062 – Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado. 2011 Com foco na produção de estruturas pré-moldadas, procura criar uma espécie de sintonia entre a fase de projeto e a prática, além de conferir segurança, estabilidade, incentivar a experimentação e manter um adequado controle de qualidade. Por isso mesmo, é considerada o alicerce do setor de produção que utiliza esse tipo de estrutura. 3.NBR 12653– “Materiais pozolânicos – Requisitos”. 2012 Os materiais pozolânicos também são alvo das normas relacionadas ao concreto, no sentido de garantir a segurança, resistência, caráter durável, além da consistência do material, a fim de que haja facilidade para o seu manuseio e transporte. Por isso, normatiza o uso de materiais como a sílica ativa, por exemplo, que atualmente é o pozolânico mais indicado para dar ao concreto essas características. 4. NBR 15200 – Projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio O Comitê Brasileiro de Construção Civil (ABNT/CB-02), no uso das suas atribuições, autorizou a Comissão de Estudos de Estruturas de Concreto Simples, Armado e Protendido a determinar critérios para construções e estruturas de concreto que possam minimizar as consequências resultantes de um incêndio. 5. ABNT/DNIT – Pavimento de concreto A ABNT também une-se ao DNIT para normatizar os procedimentos relativos à manutenção, ampliação, construção, fiscalização e elaboração de estudos técnicos relacionados ao tráfego de transportes terrestres e aquáticos no país. 6. ABNT – Cimento Portland e Concreto Convencionou-se chamar de cimento ao Cimento Portland, que é o nome técnico desse material descoberto em 1824, na ilha de Portland, Inglaterra, e que hoje é considerado sinônimo de construção civil. A associação também trata desse tema, buscando elaborar padrões para a utilização do cimento nos mais diversos segmentos da engenharia civil. 7. Normas estrangeiras Muitas das normas estrangeiras para o uso de concreto são elaboradas pela ASTM (American Society for Testing and Materials), órgão americano de normatização, fundado há 120 anos, com a missão de ser uma das principais incorporadoras de normas técnicas do mundo. Tem como principal característica ser uma espécie de guardiã da normatização de procedimentos nos Estados Unidos, oferecendo suporte técnico para inúmeros órgãos, como a ABNT e a DNIT, por exemplo. O que muda com a atualização das normas de concreto? Falaremos especificamente da NBR 16475 – Painéis de parede de concreto pré-moldado – Requisitos e procedimentos. Essa norma busca determinar os requisitos e processos necessários para a instalação de painéis pré-moldados de concreto, com o intuito de oferecer mais segurança e qualidade aos projetos de construção civil para paredes com esse material. Foi elaborada, entre outras coisas, para atender a altíssima demanda de materiais e procedimentos resultantes de projetos como o “Minha Casa, Minha Vida”. Dentre as principais mudanças estabelecidas por essa norma, está a formalização do segmento de “engenharia de montagem”, um setor que ainda não era oficializado por uma norma, mas que sempre exigiu planejamento e técnica para a realização dos seus serviços com eficiência e segurança. Outra preocupação da comissão foi a de adequar-se à Norma de Desempenho NBR 15575 e ressaltar as diferenças entre um sistema pré-moldado e os sistemas “in loco” que, segundo especialistas, possuem cada um suas tecnologias específicas. Já a NBR 9062 – Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado, procura, a partir dessa atualização, seguir com mais apuro as determinações da NBR 6118 (também atualizada). É considerada uma “mega-atualização”, já que modifica alguns princípios básicos que regem o segmento da construção industrializada. O que a revisão da NBR 9062 muda para o mercado? O motivo pelo qual a atualização de uma norma se configura como fator de alavancagem de um determinado setor é o fato de que ela estará de acordo com os principais requisitos internacionais e será capaz de competir em iguais condições dentro do segmento específico. Isso, por si só, já seria motivo suficiente para uma atualização tão profunda, no entanto, os seus efeitos vão além do aumento da competitividade frente ao setor estrangeiro. Uma normatização do uso do concreto, tal é a sua importância no segmento da construção, é capaz de fazer com que a segurança seja um fator primordial numa obra. Obviamente, quanto maior a preocupação com segurança e com o abastecimento do mercado com informações e conhecimentos técnicos, maiores as chances de negócio. Trata-se da modernização do segmento, sem a qual é impossível resistir dentro de um mercado tão agressivo e competitivo com o da construção civil. Quais as grandes características da NBR 16475? Sem
O que é FCK e o qual sua importância para o concreto?

A sigla FCK (do inglês, Feature Compression Know) foi traduzida para o português como Resistência Característica do Concreto à Compressão, um conceito imprescindível para calcular com exatidão a medida de material com relação à estrutura que será utilizada. Para cada projeto, uma medida é calculada, afinal, a estrutura de cada um deles necessita de diferentes proporções devido às suas finalidades. Ficou complicado? É só pensar que o concreto utilizado em um pilar, por exemplo, é diferente daquele utilizado em um pavimento. A unidade de medida é o Mega Pascal, representado por MPa. Para um melhor entendimento, vamos destrinchar ainda mais: Pascal É a pressão exercida pela força de 1 newton, distribuída uniformemente sobre uma superfície plana com área de 1 m² que deve estar perpendicular à direção da força. Mega Pascal = 1 milhão de Pascal = 10,1972 kgf/cm² Por exemplo, o FCK 12 MPa tem uma resistência à compressão de 122,28. O valor do FCK, ou seja, da resistência do concreto é de suma importância e é utilizado em diversas etapas do projeto de uma edificação. Como verificar se o meu concreto chegou na resistência do FCK de projeto? A fim de que os cálculos relacionados ao concreto sejam exímios, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) possui normas de padronização para assegurar o FCK. Para testar com precisão é necessário seguir as seguintes etapas: Primeiramente uma amostra de concreto é introduzida num corpo de prova cilíndrico de 10x20cm; Após completar 24 horas de moldagem, essa amostra será colocada dentro de um tanque de cura saturado com hidróxido de cálcio ou em uma sala climatizada com umidade acima de 95%, conforme a NBR 5738; Aos 28 dias de idade essa amostra será submetida ao ensaio de resistência à compressão; A amostra é colocada numa prensa e recebe uma carga graduada até alcançar o seu limite máximo de resistência; O valor obtido na prensa é dividido pela área do topo da amostra, em cm²; Resultando na resistência em kgf/cm²; O valor em kgf/cm² é dividido por 10,19172 para chegarmos na resistência em MPa. O FCK é sempre o parâmetro de projeto medido aos 28 dias. Você sabia? O concreto é um dos itens na construção que mais se modificou e melhorou no decorrer dos últimos tempos graças à tecnologia. A otimização deste material, bem como os cálculos para uma utilização bem pensada colaboram decisivamente nos custos gerais de uma obra, nas suas dimensões e no encurtamento do tempo para entregá-la. Consistência e trabalhabilidade Para compreender como a relação simbiótica da trabalhabilidade e do fck do concreto se faz, é simples: basta saber que a trabalhabilidade vai depender da quantidade de água e aditivos que o concreto leva o que influencia diretamente a sua resistência. A consistência/trabalhabilidade do concreto diz respeito às características físicas e moleculares do concreto, o que refletirá automaticamente na sua maleabilidade do mesmo, bem como na composição exata de seus componentes. Logo, se alterarmos a grau de umidade desta composição, acrescentando água, modificaremos a plasticidade do concreto, o que influi em uma maior deformação da massa. Entretanto, toda vez que adicionamos água ao concreto, perdemos resistência, diminuindo nosso fck. O ensaio de abatimento do concreto, ou slump test, é um dos meios mais usuais para verificar a sua consistência/trabalhabilidade. Como já elucidamos no início do tópico, a trabalhabilidade será inerente à consistência do concreto, além disso, outros fatores podem se relacionar à trabalhabilidade, como o objetivo da obra, como esse material foi transportado, lançado e adensado. No decorrer deste post, vamos exemplificar melhor os tipos de concreto e obras. Para explanar melhor esta relação, basta pensarmos que a trabalhabilidade e consistência do concreto será diferente se ele for aplicado em um pilar ou em uma laje. Portanto, as quantidades corretas de acréscimo de água ao cimento são essenciais para o sucesso de um empreendimento, bem como o tipo de concreto a ser utilizado. Os principais concretos de acordo com a sua necessidade Para escolher o concreto certo para a sua obra é necessário consultar um engenheiro calculista, que tem a capacidade de realizar os cálculos necessários para o dimensionamento. Entretanto, a norma NBR 6118 indica o fck segundo a classe de agressividade do meio. Conheça a seguir alguns tipos e seus respectivos desígnios. Concreto FCK 20 Para concretos que serão utilizados em meio agressivo fraco, normalmente em meio rural. No meio urbano é muito utilizado para concretar um tipo de fundação, a hélice contínua. Também sendo utilizado para concretagens simples, sem fins estruturais. Concreto FCK 25 É o concreto mais utilizado em meio urbano, sendo recomendado desde casas pequenas às grandes construções. Resiste a moderada agressividade do meio. Concreto FCK 30 Amplamente utilizado nas construções de edifícios e de construções industriais. Resiste ao meio agressivo forte, segundo a NBR 6118. Concreto FCK 35 Amplamente utilizado nas construções de edifícios e de construções industriais. Resiste ao meio agressivo forte, segundo a NBR 6118. Sua tenacidade é maior que as demais, usualmente utilizado em casas tipo sobrado, e também em baldrames, sapatas, radier. Diferentemente dos outros este tipo de concreto, é indicado para a construção de pavimentos de postos de gasolina, onde a circulação de veículos pesados é mais frequente. Para finalizar, a importância da qualidade dos concretos deve ser a premissa para os projetos futuros. Atualmente, já se tem essa ciência. Portanto, o necessário é que mais projetistas coloquem isso em prática. Concretos mais resistentes, que possuem sílica ativa em sua composição, acabam por aumentar os vãos das vigas e, consequentemente, diminuem a espessura dos pilares, ocasionando obras mais bem planejadas. Esperamos que este post tenha respondido as principais inquietações sobre o conceito e a funcionalidade do FCK e assuntos correlatos. 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Concreto bombeado: como melhorar o seu uso?

O concreto bombeado é uma das várias formas de manipulação desse material, sempre com o objetivo de facilitar o processo, economizar tempo, garantir a qualidade, reduzir custos e aumentar a produtividade durante o projeto. Tecnicamente, consiste em um método de trabalho em que uma bomba de alta potência é responsável por transportar o concreto produzido na betoneira para o local onde deverá ser aplicado – por meio de mastros e tubulações de metal ou sintético –, sem que haja desperdício de tempo ou conteúdo. É praticamente um consenso que a aplicação do concreto por bombeamento torna a operação mais rápida; dispensa a utilização de uma série de equipamentos, como carros de mão, guinchos, gruas etc.; torna o processo mais fácil de ser executado pelos funcionários. Em alguns projetos, é um método absolutamente indispensável, em função da altura e localização do ponto de aplicação. É importante ressaltar que a complexidade envolvida nos projetos de construção civil, entre outras coisas, exige uma diversidade de concretos, que, por sua vez, possuem diversos tipos de dosagens e tamanhos de agregados. Por isso, esse sistema requer um concreto com consistência fluida, planejamento do canteiro de obras e a correta escolha dos diversos tipos de bombas, para que as várias forças que agem durante o seu lançamento possam atuar de maneira eficiente e segura. Por que usar o concreto bombeado? Talvez o principal fator responsável por tornar o concreto bombeado indicado para grandes edificações seja a rapidez com que a operação é executada– característica essencial para que um método seja escolhido nos dias atuais, em que o tempo é cada vez mais escasso e medido a peso de ouro. Como não pode haver intervalos ou interrupções demoradas durante o processo de concretagem, é necessário que o método escolhido seja capaz de aliar a velocidade da operação com a qualidade do resultado esperado. Isso sem esquecer que o concreto pronto tem prazo de validade, e qualquer situação inesperada, como a quebra da betoneira durante o seu transporte até o canteiro de obras ou mesmo um congestionamento imprevisto, pode resultar na perda de grandes quantidades do material pronto. Um problema que, obviamente, é minimizado pela concretagem bombeada. Quais os principais equipamentos para utilizar um concreto bombeado? 1. Betoneira A betoneira é um imenso equipamento acoplado a um caminhão, cuja função é misturar os componentes do concreto: cimento, água e agregados (areia e pedra britada). Durante o transporte do material, o mecanismo da betoneira é acionado para que a mistura ocorra durante toda a viagem — do local da encomenda até o canteiro de obras. Outra coisa importante é que a mistura deverá ocorrer sem interrupções ou intervalos durante todo o trajeto (sempre no mesmo sentido), até que o material chegue ao canteiro, onde, a partir daí, o operador deverá fazer com que a sua rotação se dê no sentido contrário. 2. Bomba de concreto Este é o personagem principal desse método de concretagem. Consiste na alternância de duas espécies de pistões que realizam, de forma independente, os processos de recebimento e expulsão do concreto oriundo da betoneira. E, para esse fim, existem vários tipos de bombas. E as mais utilizadas são: Bomba Lança – Mecanismo utilizado no sistema de concreto bombeável e o mais indicado para o início dos trabalhos, até que o local de concretagem atinja alturas impossíveis de serem alcançadas pelos mastros e exijam a substituição por imensas tubulações que transportem o material até o local de descarga. Trata-se de um mecanismo móvel, onde a bomba é transportada sobre um caminhão, acoplada ao o seu chassi e conectada à betoneira. Recebe esse nome pelo fato de possuir uma espécie de lança (mastro de distribuição), que é responsável por levar o concreto até o local de aplicação. Bomba Estática – Esse tipo não difere muito da bomba lança no que diz respeito à eficiência, à velocidade e ao poder de bombeamento; diferindo apenas nas peças utilizadas e na sua capacidade de atingir alturas inacessíveis a outros tipos de bombas. Como o próprio nome diz, ela deverá ser transportada para o canteiro de obras, onde permanecerá de forma fixa até que o serviço seja executado. Além disso, não possui um mastro para distribuição do concreto. Em seu lugar são utilizadas imensas tubulações que a conectam com o local onde será aplicado o concreto. Bomba de Mangote – Trata-se de um tipo geralmente utilizado em pequenas construções, como o preenchimento de lajes residenciais, vigas, acabamentos, contrapisos, entre outras aplicações semelhantes. Tem menor potência e rapidez de lançamento, por isso tem um raio de ação limitado, apesar de atender suficientemente as expectativas de pequenos projetos. Os responsáveis pelo transporte do concreto da betoneira para o local a ser preenchido são os mangotes, que geralmente têm não mais que 3” de diâmetro. Autobomba – Finalmente, outra variedade muito utilizada em construção civil e que também atende às necessidades de potência, rapidez e custo-benefício. As autobombas são semelhantes às bombas estáticas, com a diferença de que devem ser acopladas em cima de um caminhão apropriado para esse fim. Portanto, não há necessidade de serem transportadas por meio outro veículo. 3. Tubulações No sistema de concreto bombeado, as tubulações são conectadas à bomba e têm a função de realizar o transporte do material até o local a ser preenchido. Geralmente, têm um diâmetro entre 3 e 5 polegadas, e são fabricadas com material sintético (borracha, basicamente) ou metal. São uma parte essencial das bombas estáticas e das autobombas, já que estas não possuem mastros de distribuição para o lançamento do concreto. 4. Mastro de distribuição Outro equipamento específico desse tipo de concretagem são os mastros de distribuição, que têm a função principal de aumentar a produtividade e velocidade do processo. O “Placing Boom”, por exemplo, são mastros hidráulicos capazes de se moverem em um ângulo de 360°, num raio de até 35 m. Ele possui “braços” que permitem o seu prolongamento à medida que o trabalho atinge os andares superiores, o que pode resultar numa produtividade entre 50 e 60 m³. Como
Concreto auto-adensável: Principais características e aplicações

Em 1988, um grupo de pesquisadores japoneses interessados em produzir um concreto capaz de atender a demanda por estruturas com alta taxa de armadura , desenvolveu o que hoje é conhecido como concreto auto-adensável. As características mais importantes desse tipo de concreto são: Capacidade de preencher os espaços sem nenhuma intervenção mecânica (fluidez); Coesão suficiente para o preenchimento desses espaços sem que haja separação dos seus elementos constituintes (estabilidade). Com o projeto desenvolvido, em 1988 surge finalmente um protótipo para a produção em larga escala. E, em 1997, é utilizado em seu grande teste: a construção da famosa ponte Akashi-Kaikyo, no Japão. A ponte é considerada até hoje um verdadeiro colosso da engenharia civil, com quase 4000 metros de comprimento e 1990 metros de vão central, ligando as ilhas de Awaji e Kobe, bastante conhecidas pelos abalos sísmicos que ocorrem constantemente na região. Ao passar “com louvor” nos vários testes aos quais foi submetido, o concreto auto-adensável foi considerado apto para ser utilizado em edificações que exijam certo grau de sofisticação durante o processo. Trata-se de um material que não necessita de vibradores de imersão para o preenchimento dos espaços na fôrma (já que o seu próprio peso faz o trabalho), é lançado com muito mais facilidade além de ser ecologicamente correto. Por tudo isso, é considerado um dos carros-chefes da “revolução silenciosa” da construção civil. Quais os materiais utilizados para fazer o concreto auto-adensável? Os materiais utilizados são iguais aos de concreto convencional, cimento, areia, brita, água, adições e aditivos químicos. A maior diferença vai estar ligada as proporções de cada componente. O grande diferencial desse tipo de concreto é o fato de ser produzido com uma quantidade maior de agregados finos em relação aos agregados graúdos, além de consumir maior quantidade de cimento e adição mineral quimicamente ativa, como a sílica ativa, ou inerte como o filler calcário. Tanto o aumento de agregados finos como o aumento do consumo de cimento, serve para incrementar a quantidade de materiais finos, pois no concreto auto-adensável este aumento melhora consideravelmente diversas propriedades do produto final, tanto no estado fresco quanto no endurecido, desde o aumento da coesão da pasta quanto o aumento da resistência inicial. Também é imprescindível a utilização de aditivos superplastificantes, que conseguem aumentar o espalhamento do concreto (dispersando as partículas de cimento) sem prejudicar a resistência. Nesse sentido, os materiais específicos para a sua produção, podem ser resumidos em: 1. Aditivos químicos Aqui, especificamente, falamos dos aditivos superplastificantes à base de policarboxilato, cuja principal função é ser um potente redutor do volume de água do concreto, garantindo maior fluidez e resistência. Também podem ser incorporados modificadores de reologia que agregam maior coesão ao concreto. 2. Sílica ativa Dentre as adições minerais a que mais se destaca é a sílica ativa, pois pode beneficiar o concreto de duas maneiras, tanto física quanto quimicamente. A primeira é devido ao efeito microfiller, pois suas partículas são menores do que as do cimento, proporcionando maior coesão ao concreto e diminuindo sua porosidade. O benefício químico se da pelo fato da sílica ser rica em dióxido de silício amorfo, capaz de formar o gel CSH (silicato de cálcio hidratado) ao reagir com o hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) formado durante a hidratação do cimento. Esse gel CSH é o mesmo produto resultante da reação do cimento com a água, por isso que a sílica ativa também auxilia a resistência e durabilidade do concreto. 3. Agregados miúdos Neste caso, tratam-se, basicamente, de areias das mais variadas procedências: naturais (margens de lagos, rios e bancos de areia) ou artificias (obtidas por processos industriais). Normalmente a areia artificial é mais utilizada, devido a sua forma esférica e pelo seu módulo de finura ser menor (maior quantidade de finos). 4. Agregados graúdos Preferencialmente é indicado trabalhar com agregados graúdos com forma esférica, a fim de não prejudicar a trabalhabilidade, com dimensão máxima compreendida entre 12,5 mm e 19 mm. 5. Cimento Podem ser utilizados os mesmos cimentos utilizados nos concretos convencionais, desde que atenda os critérios de resistência. Normalmente o mais utilizado é o cimento de alta resistência inicial (CPV ARI), por ser mais fino e apresentar maiores resistências iniciais. Entretanto, é importante se atentar ao alto calor de hidratação liberado por esse tipo de cimento, podendo causar fissuras de origem térmica. Onde é recomendado usar o CAA? Ser um concreto fluido e que se molda na fôrma sem a necessidade de intervenção humana ou mecânica faz com que o CAA seja especialmente indicado para estruturas com alta taxa de armadura, estruturas pré-moldadas, estruturas que exijam acabamento em concreto aparente, obras arquitetônicas e paredes de concreto, método construtivo muito utilizado em habitações com interesse social (HIS). No caso de rampas e calçadas, por exemplo, a capacidade de se autonivelar é considerada a sua grande vantagem, pois será menor a intervenção humana após a sua aplicação. O que, obviamente, garante um acabamento muito superior ao que permitiria o concreto convencional. Além disso, no caso de obras que exijam menor utilização de mão de obra, restrição de poluição sonora, concretagem rápida, tenham pouco espaço para movimentação de equipamentos esse material é considerado ideal, já que a aplicação não requer o uso de vibradores para o seu nivelamento, diminuindo a mão de obra e poluição sonora. Por tudo isso, segundo o engenheiro formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutor em engenharia e Especialista em Desempenho e Tecnologia do Concreto, Bernardo Tutikian, “a utilização do CAA leva a construção civil para uma forma de produção industrializada, reduzindo o custo da mão de obra, aumentando a qualidade, a durabilidade, a confiança na estrutura das edificações e a segurança dos trabalhadores.” Qual a norma que regulariza o CAA? Os procedimentos para a produção do concreto auto-adensável e a melhor forma de utilizá-lo estão devidamente contemplados na NBR 15823 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que, resumidamente, procura adequá-lo à Norma de Desempenho (NBR 15575), responsável por elencar as exigências para a concretagem (principalmente de paredes), mas com
Calor de hidratação: qual a importância para o concreto?

Tecnicamente, o calor de hidratação pode ser definido como o calor liberado pelo concreto através de um processo exotérmico, no caso a reação do cimento com a água. Um processo exotérmico nada mais é do que uma reação química em que há transferência de energia do interior de um objeto para o meio exterior. Após as primeiras horas da aplicação do concreto começa a ocorrer a hidratação do cimento com a água (endurecimento). Essa reação faz com que seja liberada certa quantidade de produtos de hidratação, como hidróxido de cálcio, etringita, silicato de cálcio hidratado, entre outros. Esse processo provoca um aumento da temperatura da massa concreto, cujo calor será liberado na atmosfera. Grande consumo de cimento no concreto é a principal causa do aumento excessivo da sua temperatura. Até aí, nada de novo. O problema é que, quando se trata de grandes volumes de concreto para a mesma peça, como os blocos de fundação, o calor produzido em seu interior (nas primeiras horas após a aplicação) encontra dificuldade em se dissipar para a atmosfera. Essa dificuldade gera grande acúmulo de temperatura no interior da massa, acarretando em um diferencial térmico entre o núcleo e a superfície da peça. Quando a temperatura interna do concreto ultrapassa os 65ºC a probabilidade de ocorrer fissuração é muito grande, pois quando a camada externa resfriar-se e começar o processo de retração, a camada interna ainda estará em processo de expansão, gerando tensões internas. Qual a relação entre as propriedades do cimento e o calor de hidratação? De modo geral, o cimento apresenta diversos componentes de acordo com o seu tipo. Esses componentes têm relação direta com uma maior ou menor alteração da temperatura do concreto. Basicamente o cimento tem 4 componentes em maiores quantidades: C3S : Silicato tricálcico, responsável pela resistência do concreto em todas as idades, mas principalmente nas idades iniciais, liberando calor após a aplicação. C2S : Silicato dicálcico , responsável pela resistência do concreto em idades mais avançadas, como 1 mês, liberando calor lentamente. C3A : aluminato tricálcico, libera muito calor nas primeiras horas, reage com água formando a etringita. C4AF: ferro aluminato tetracálcico, não influencia a resistência. Por isso é muito importante escolher o tipo de cimento para o concreto. No Brasil temos diversos tipos de cimento, como o Cimento Portland Comum, Cimento Portland Composto, Cimento Portland de alto forno, Cimento Portland Pozolanico, Cimento Portland de alta resistência inicial, etc. Usualmente vemos bastante o Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (CPV ARI), que é um cimento rico em C3S, componente responsável pela resistência inicial. Porém, esse cimento libera alta quantidade de calor em poucas horas, contribuindo para o calor de hidratação. Também é preciso tomar muito cuidado com o teor de C3A do cimento, que é mais baixo do que o C3S, mas tem altíssima liberação de energia nas primeiras horas. Como reduzir o calor de hidratação no concreto? Muitas variáveis podem influenciar o processo de calor de hidratação, desde a composição dos materiais do concreto ao planejamento da concretagem. Por isso é muito importante consultar especialistas que possam realizar estudos prévios elencando os cuidados a serem tomadas a fim de evitar que essa patologia ocorra. Podemos citar alguns deles: 1. Não permitir a exposição excessiva ao sol Às vezes, pode acontecer de todas as providências e cálculos terem sido observados para evitar o problema. No entanto, a exposição excessiva do concreto ao sol nos primeiros dias após a sua aplicação comprometerá toda a previsão inicial. Por isso, é importante evitar essa exposição, por meio de estruturas adequadas para proteção ou programando a concretagem fora do horário de maior exposição ao sol, preferencialmente no período noturno. 2. Utilizar camadas de concretagem As camadas de concretagem, por serem menos volumosas, são capazes de evitar que o calor permaneça no interior do concreto, permitindo que ele se espalhe pela sua superfície. Isso impede o acúmulo excessivo de calor pela simples diminuição do volume de concreto em uma determinada área. 3. Realizar uma boa cura do concreto A cura do concreto consiste em medidas adotadas para diminuir a evaporação da água contida em seu interior como resultado do aumento da temperatura. Apesar de agir na parte externa do concreto, é importante para minimizar as consequências desse calor excessivo. A água gelada tem o poder de controlar a temperatura do concreto. 4. Refrigerar o concreto com gelo Quando há uma necessidade maior de diminuir o calor produzido pelo concreto, pode-se recorrer a esta técnica, que consiste em incorporar gelo juntamente com a água adicionada na mistura, com o intuito de fazer com que o material bombeado tenha uma temperatura ambiente. Assim, a maior temperatura atingida após aplicação não será tão excessiva. 5. Refrigeração interna A “pega” do concreto é o momento em que começa a haver a sua hidratação ou endurecimento. Logo, a refrigeração nessa fase é feita por meio de pequenas tubulações contendo água gelada. Essas tubulações são introduzidas no núcleo do concreto ainda fresco e permanecerão dentro dele após endurecido. 6. Controlar a quantidade de cimento O cimento é o responsável pela reação exotérmica que ocorre no concreto. Portanto, a melhor maneira de evitar o excesso de calor na massa é utilizar a menor quantidade possível desse aglomerante. Podemos realizar essa redução através de várias formas, tais como a utilização de aditivos superplastificante, que possibilitam a redução da relação água/cimento sem prejudicar a fluidez do concreto e/ou a utilização de adições minerais, como a sílica ativa, que possibilitam a redução de cimento sem perder resistência final. 7. Controlar a temperatura dos materiais constituintes do concreto A liberação de calor começa apenas após a hidratação do cimento, mas é possível reduzir a temperatura máxima resfriando os materiais constituintes do concreto, como a areia e a brita, antes que a reação do cimento ocorra. É o mesmo intuito da utilização de gelo mencionada acima. Como esses materiais ficam expostos ao sol na usina de concreto, muitos profissionais indicam que sejam instalados pulverizadores de água nesses depósitos, a fim de diminuir a temperatura